Altíssimo Paraíso

Alto Paraíso de Goiás é um daqueles lugares especiais que todos que curtem relaxar na natureza deveriam ir pelo menos uma vez na vida. A lista de razões que torna esse destino um lugar extraordinário é bem grande. O município faz parte da Chapada dos Veadeiros, uma região de cerrado com muitos animais selvagens, tipo duplas de tucanos voando livremente, lobo-guará e uma infinidade de pássaros coloridos, além de uma vegetação espetacular, com muitas plantas exóticas. Para completar, as cachoeiras e os cânions da região são atrações obrigatórias. Quanta beleza tem aquele lugar!

Clica no álbum Minas do Milton Nascimento que embalou a minha viagem e vem comigo!

O curioso sobre Alto Paraíso é que acredita-se que no subsolo da região exista uma enorme placa geológica de cristal de quartzo. Não é difícil topar com uma pedra de quartzo na rua. Por isso, muitos acreditam que a área emana vibração positiva, sendo um lugar mais que especial. A região atrai diversos grupos místicos, filosóficos e religiosos e a questão é que independente de religião, cada vez mais pessoas a fim de se conectar com a natureza e interessados em modelos mais sustentáveis de viver têm ido pra lá. Por isso, foi com o intuito de relaxar e de conhecer algumas dessas pessoas que eu fui parar na Chapada, e logo depois de um curso de Leitura de Aura no Novo Portal da Chapada, resolvi me hospedar no Mariri Jungle lodge.

O Mariri Jungle Lodge é uma eco-vila linda de viver no meio de muito verde, a cerca de 13km do centro de Alto Paraíso. É como um grande sítio, super tranquilo, que inspira criatividade.

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Eles oferecem diferentes opções de acomodação, como lindas casas na árvore, uma a 12 metros do chão e outra a 25 metros e ainda a Tower House, que tem uma vista de 180 graus da região. Eles também são abertos para voluntários que desejem trabalhar por lá cooperando com a sustentabilidade local nas agroflorestas e hortas. Em troca eles oferecem desconto na hospedagem e até quartos de graça, para quem desejar cooperar por mais tempo, se tornando um voluntários fixo. Lá é o lugar perfeito para aprender sobre culinária vegana, permacultura e bioconstrução.

            Me hospedei na Kura Kura Tree House, a casa a 12 metros do chão e de onde, infelizmente meu Iphone se jogou com todas que tirei da viagem. Mais lúdico que um assalto, resolvi aceitar e me entregar a experiência de ficar realmente offline. Talvez um sinal? O legal da Kura Kura era realmente se sentir no meio da natureza, tendo uma perspectiva de estar entre as árvores. O desafio foi dormir a noite com tanto barulho não identificado. Confesso que na primeira noite dormi com a luz acesa, na segunda noite dormi com o abajur aceso e a partir da terceira noite dormi apenas com uma lanterna ao lado, para o caso de emergências. Como, por exemplo, uma visita da Janaína, a cobra de estimação do lugar.

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Bom, o segundo desafio foi usar o banheiro seco ecológico. Em outras palavras, o baldinho. As necessidades iam pro baldinho, em cima cerragem e voilá, adubo orgânico para a agricultura. Simples e sem cheiro. A adaptação não foi muito fácil, principalmente por não haver porta ou janela. A sensação era de que todos os animais da floresta estavam me observando. Mas persistindo, consegui me adaptar. 

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Além disso, Mariri é um espaço de cura e de arte. Eles oferecem aulas de yoga, massagem ayurvédica e também recebem um projeto de residência artística para artistas autodirigidos. Lá conheci a Karolina Daria Flora, artista polonesa residente do lugar. Ela me explicou que estava fazendo uma série de fotos sobre as queimadas ilegais que devastavam morros inteiros da Chapada. É necessária muita conscientização dos pecuristas e agricultores locais para não realizar queimadas sem autorização. Sem muito esforço a Karol me convenceu de partir para a região queimada e fazer um ensaio sobre o tema, colaborando com a série de fotos do trabalho dela.

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Em poucos dias, conheci pessoas maravilhosas e pude experimentar um modelo de viver mais consciente, sustentável e mais conectado com a terra. O resultado no meu dia-a-dia foi voltar para o Rio com menos stress, com mais empatia nas minhas relações e mais consciência sobre a forma com que consumo as coisas. É incrível como em apenas 2 semanas é possível hackear o nosso sistema e promover mudanças verdadeiras. Viva Alto Paraíso e todas as pessoas estão construindo o novo mundo em que elas desejam viver.

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fernanda sigilao

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