PULEI E AGORA?

E agora o mais difícil já passou, você escolheu mudar e se abriu para um caminho diferente. Teve coragem para tentar algo novo e tem infinitas possibilidades à sua frente. Infinitas mesmo e não sou eu quem está dizendo, é a física quântica. Acontece que em momentos de mudança é normal repetir padrões indesejados e continuar fazendo as coisas da forma que a gente já conhece. E tudo bem.

É normal levar um tempo para reconstruir novas formas de aprender e de trabalhar. Sinto que o momento de transição é realmente um período de aprendizado, de mais incertezas do que certezas, onde o nosso lado controlador fica em polvorosa nos questionando e cobrando direções o tempo todo.

Apesar de poucos empreendedores destacarem isso, começar o próprio negócio é tudo menos glamour. De um dia para o outro você assume responsabilidades que não tinha antes, como cuidar de uma contabilidade mais complexa, gerenciar pagamentos, prospectar novos clientes, gerir diferentes projetos e atender os atuais clientes. Aliás, atendimentos do Brasil e do mundo, RESPECT.

O relacionamento com o cliente é uma parte chave para o crescimento do negócio e preenche facilmente a agenda de uma semana inteira. Falando, especialmente, do mercado de comunicação, a construção de uma parceria recíproca entre cliente e prestador de serviço é o único modelo possível na lógica das novas economias. Ele envolve mais transparência, colaboração, respeito e confiança. Onde cada um tem um papel no sucesso dos projetos, tanto quem paga por ele, quanto quem desenvolve. O comprometimento com o resultado passa a ser mútuo e sonhos e riscos passam a ser comprados por ambas as partes.

Mas nem tudo são flores. Na minha experiência, os novos desafios continuam surgindo, mas por serem mais conectados ao meu propósito, se tornam mais fáceis de serem resolvidos.

Desde que saí da agência a minha curva de aprendizado aumentou muito. Antes, no meio corporativo a minha curva era linear, participava de jobs com escopo parecido, o ambiente quase sempre era inflexível para mudanças e atendia aos mesmos prazos – sempre curtos demais demais para entregar os resultados do jeito que gostaria. Ao sair da agência essa curva se tornou exponencial, porque cada projeto tem escopo, prazos e pessoas diferentes. A autonomia, o espaço para experimentação e a liberdade para assumir riscos ficaram muito maiores e claro, o aprendizado deslanchou.

Em meio ao processo de ativar a rede e fazer novas amizades profissionais, conheci um neurocoach que me ajudou bastante. Em nosso processo, mapeamos as questões que mais gostaria de encontrar em um novo trabalho. Aparecia logo no início da lista: Trabalhar com pessoas legais, competentes e mais experientes, estar em um ambiente informal e criativo e ter autonomia trabalhando em grupo.

Conseguia visualizar as duas últimas em um trabalho em rede dentro de um coworking, por exemplo, mas por algum motivo inconsciente, a minha cabeça associava profissionais experientes e competentes apenas a grandes empresas e agências. Ainda tinha a ideia do chefe como o mentor que transmite conteúdo. No entanto, a questão é, essa figura existe e é importante? Muito. Ela é a única possibilidade? Não. Em poucos meses pude trabalhar com pessoas mais experientes do que eu, com conhecimentos complementares e o mais legal, muito abertas a compartilhar seu conhecimento e experiências comigo.

A boa notícia é que empreender não precisa ser um movimento solitário. Hoje existem muitas iniciativas e projetos compartilhando conhecimento e apoio para o chamado “momento de transição”. Para mim, as direções foram surgindo tanto a partir das conexões que emergiram dos cafés de networking quanto das pesquisas feitas on-line. Abaixo estão alguns projetos que gosto bastante, espero que seja útil para vocês. Vamos transicionar! 🙂

O Movimento Ímpar
Tem um grande foco em transição com propósito, trabalho em rede e na conexão entre projetos e as cidades onde eles existem. As idealizadoras promovem uma jornada com várias metodologias práticas para orientar pessoas nesse momento e as conectam com outras pessoas da própria rede para impulsionar negócios. Vale a pena checar o blog também, tem artigos bem legais, como esse aqui sobre trabalhar em rede.

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Empreenda a Si Mesmo

O Empreenda a Si Mesmo é uma iniciativa do Vinicius de Paula Machado, co-fundador da Goma e da sócio fundador da Carioteca, uma empresa de co-criação e facilitação expert em processos colaborativos. O empreenda acontece em datas específicas e envolve diálogos, muita troca entre os participantes, diferentes dinâmicas para que cada participante possam refletir sobre seus propósitos, desafios e ideias. O vídeo é de 2016 mas está valendo!

The Tribe

O Max Nolan é referência em redes colaborativas, cultural hacker, fundador da Dervish Cultural Insights e empreendedor animado de diferentes iniciativas relacionadas a futuro do trabalho e das relações. Dentre eles existe o The Tribe que surge a partir do entendimento de três movimentos: O nomadismo digital, o trabalho com propósito e o empreendedorismo digital. No vídeo abaixo gravado para o Movimento Ímpar (está tudo conectado!) ele explica mais sobre sua forma de ver o mundo e suas motivações.

You are Not Fucked

É uma comunidade para mulheres em transição, eles me ganharam com a frase “Se não dá para resolver com um bom jantar, taças de vinho e conversas, então é de fato um problema.”. Concordo e assino embaixo. A iniciativa tem várias experiências como encontros individuais, curadoria de conteúdo, encontros com convidados, mentoria e mais. Uma rede bem legal para se conectar.

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Escola de Rumos

Idealizado pela escritora Paula Quintão, também criadora do Portal Coragem para Empreender, o Escola de Rumos oferece cursos, palestras e oficinas online e também itinerantes  em diferentes cidades. Tem uma pegada bastante pessoal de propósito, vendo a transição de uma forma holística e não apenas profissional.

EscolaDeRumos

Fe Siglião

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