Um Presente Inesperado

Okay.
Começando bem do começo.
Senti que meu presente de dia das mães era uma ida ao ginecologista, pós “date”, e durante a ultrassonografia ele largou a seguinte frase: “aqui mostra um pequeno movimento de ovulação no esquerdo.”

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Tratei como uma pulga inconveniente atrás da minha orelha por um pouco mais de duas semanas, quando achei que meu sangue não ia descer tão cedo e resolvi checar de uma vez.
Foi aí, nesse momento, que a pulga atrás da orelha virou um nó no meu estomago.
“QUE Pø%@ VOU FAZER COM ESSA INFO, GENTE?”, em menos de 2 segundos aquele termômetro estranho respingado de xixi já tinha dois tracinhos, e na embalagem dizia que aquilo significava “TEM ALGUMA COISA QUE VOCÊ NUNCA QUIS AI DENTRO MANA!”.

tenor

 

A pior coisa da gravidez não planejada e com um cara que não é seu namorado é sentir, em menos de 30 segundos, a pressão social que existe sobre a mulher.
Pensamentos como: “Como vou contar pro cara?”, “Ele não vai acreditar que é dele”, “Melhor  resolver isso sozinha”, “Não vou contar”, “Vai achar que sou louca”, “Vai achar que quero casar”, “O que vão pensar de mim?”, “Como minha família, amigos, clientes, estranhos, enfim, mundo vai reagir?”…

E por aí foi meu inconsciente dizendo que a culpa era minha, que o erro era meu, que a solução tinha que ser minha, que EU ia estragar a vida DELE, minha e de todo mundo, com a notícia…

MAS HEIM??!?! PARA AÍ! JÁ! Como diria Dona Hermínia:
– FIZ ESSA PORRA COM O DEDO, NÉ CARLOS ALBERTO?
Depois de aceitar que precisava resolver isso com quem me ajudou a gerar o feto, ir atrás pra contar do imprevisto” e dar tudo relativamente certo vieram as outras #BADVIBES.

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1- Sou freela, tenho ZERO estabilidade financeira.
2- Divido apartamento e contrato de aluguel com uma amiga, pra onde vou e com uma criança no colo?
3- Moro em uma cidade e toda a minha família em outra, mas não quero ‘voltar já pra saia da minha mãe e largar meu colchão”
4 e a pior de todas – EU NUNCA QUIS SER MÃE.

Sabe aqueles migo que tem aquela vontade, nem que seja zinha de “formar uma família”?
Aquelas conversas com as migue ou com o boy dizendo “quando tiver um filho/a vai se chamar Joãozinho”.
Ou o famoso papo do: “Não agora, mas talvez quando tiver estabilidade emocional e financeira, acho que vou querer ter um filho”

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Poizé! NÃO! NUNCA! Alguém falava: FILHO! Eu respondia: VIAJAR!

Quando o assunto era amadurecer, casar, ter filhos, eu era a primeira a levantar da mesa e pedir mais um drink direto no bar.
Afinal a vida sem depender de ninguém e ninguém depender de mim é maravilhosa.
E outra: – PRA QUE colocar uma criança inocente nesse mundo todo cruel, virado do avesso? Pra ver sofrer? JAMAIS! Não vou ser essa pessoa.

Agora tô aqui, gastando o dinheiro do cofrinho “trip Japão”, em enxoval de bebê e com um sorriso de orelha a orelha estampado na cara.
O povo me pergunta se não tô ansiosa pra ver, pegar no colo e respondo com todas as letras: não.
Povo se assusta. Eu completo: gente nunca quis ser mãe, ainda estou descobrindo o que é querer ser, to aproveitando cada semana, cada passo, cada cm a mais de barriga entendendo o que é querer ser mãe. Tô descobrindo esse sonho e curtindo cada segundinho dele. E ele é lindo e emocionante, de verdade, nunca chorei tanto de emoção.
Ouvi dizer que eram os hormônios, mas algo em mim diz que é bem mais que isso.
Algo me faz quase chorar quando sinto o pezinho/mãozinha empurrando a pele e carne da minha barriga.
Pra que querer agilizar esse processo tão gostoso, que eu tinha a ingenuidade de nem querer saber como é.
Eu vou poder dizer pra todo mundo que amei cada cm que minha barriga cresceu ou mexeu.

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A gravidez me fez ver que queria/quero ser mãe e você vira mãe no momento que você aceita que tem um ser dentro de você, que dependente desde já.
Esse serzinho já precisa que você se alimente direito, que você pare de usar qualquer tipo de drogas, que você durma, que você junte dinheiro, que você se organize em todos os aspectos.

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Minha vida inteira mudou.
Meu jeito de lidar com as pessoas, clientes, amigos, objetivos, propósitos e até vontades mudou. Minha determinação e força de vontade aumentou.
Acho que principalmente por estar “sozinha” nessa. Digo sozinha, porque o pai assumiu, mas acho que pai só vira pai depois que pega a criança no colo.
Acabou que toda a correria de enxoval, móveis, corrida contra o tempo pra dar conta de tudo além de trabalhar em dobro pra juntar dinheiro, ficou comigo. Talvez até por uma escolha inconsciente minha, alinhada com minha incapacidade de depender de 3os , querer fazer tudo no meu tempo e do meu jeitinho.
De repente me vi organizando toda a minha vida pessoal, profissional, financeira pra estar preparada pra receber um pacotinho surpresa que você nem sabe como vai ser. Só sabe que VAI SER!

Organizar minha vida pessoal e financeira não foi achar o emprego fixo CLT ideal, mas conseguir fazer o que já fazia render mais, correr atrás de novos projetos e clientes, me perguntar o que mais eu queria e podia.
Aprender a aceitar, escutar e respeitar meu corpo e o que ele pede seja, descanso, trabalho ou lazer, foi uma parte muito importante do processo de mudança que estou vivendo há 8 meses.
Sinto que já amadureci MUITO e aprendi a entender, projetar e justificar meus sim e nãos.
Aprendi que não tenho real controle sobre nada que possa acontecer na minha vida, mas ao mesmo tempo tento aceitar que tudo bem não ter, desde que você tenha foco, força, determinação e objetivos. E o meu agora é a Emma <3

Como mãe já não me sinto mais obrigada a nada, mas tenho vontade e me sinto capaz de TUDO. TUDO é possível pra fazer minha vida e dessa coisinha no forninho a melhor que puder providenciar.

E que venha a Emma, me ensine e fortifique cada vez mais.

E que assim possamos dominar o mundo, nem que seja só o nosso mundinho cor de rosa mesmo, que é o que importa.

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Pela mãe Taissa Sterim.

TATA DEUSA

 

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